Corações partidos

Tem meses em que o tema do texto surge com facilidade. Mas há outros em que nada acontece…

Desde o final do mês passado venho pensando em escrever sobre as feridas de um coração partido. Mas não é do meu feitio falar sobre tristeza, sofrimento ou mágoas, ainda que eles façam parte da vida.

Fui buscar inspiração na natureza. Afinal, mudei minha vida justamente para estar mais próxima dela e desfrutar dos benefícios que esse contato proporciona.

Quando cheguei ao lugar onde costumo ir, encontrei mais pessoas que tiveram a mesma ideia. A diferença é que, enquanto eu buscava silêncio, elas conversavam e ouviam música. E, curiosamente, a letra dizia: “É que a gente quer crescer e quando cresce quer voltar do início porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido.”

A música e toda aquela situação reforçaram o tema que já estava rondando meus pensamentos.

Eu, que buscava silêncio, gostaria muito de ter encontrado aquele lugar vazio e tranquilo para deixar a inspiração chegar. Mas aconteceu justamente o contrário.

Sempre a tal da expectativa… e a tal da realidade.

Quanto mais idealizamos uma situação, uma emoção, uma pessoa ou um trabalho, maior é a chance de nos frustrarmos. Apegamo-nos à ideia que criamos e fica difícil abrir mão do resultado imaginado. É aí que mora o perigo da desilusão.

Quando não aceitamos as coisas como elas acontecem, acabamos nos paralisando. A gente nem percebe e, a cada expectativa frustrada, surge uma nova desilusão e mais um pedaço do coração que parece se partir.

Não há brilho nos olhos nem alegria que resistam a ciclos repetitivos de tristeza. E empatia sem limites também pode se transformar em exaustão.

Por isso mesmo, cabe a cada um juntar os próprios caquinhos da alma e do coração.

É preciso encarar que muitos de nós ainda escolhem a tristeza e a separação. Muitos ainda preferem lançar bombas a debater ideias. Muita gente continua ferindo muita gente, seja com palavras, seja com atitudes extremas de agressão.

Coisas do mundo. Coisas do ser humano em constante processo de lapidação.

Talvez não seja coincidência que este tema tenha surgido justamente agora. Na astrologia, estamos no período do signo de Leão, signo associado ao coração. Leão rege a Casa 5 do Mapa Astral: a área da criatividade, dos filhos, das diversões e do legado que deixamos.

Talvez este seja um excelente momento para cuidar das feridas do coração e usar a criatividade para reencontrar a alegria e, quem sabe, ajudar a humanidade a encontrar um caminho melhor.

Afinal de contas, como costumo dizer em aula: sem atividade física e caridade, não há salvação.

Brincadeiras à parte, vale olharmos com honestidade o quanto, muitas vezes, saímos de nós mesmos pelo outro. Essa é a verdadeira caridade. E acredito que isso só é possível através do amor. Como diz o poema: “Só o amor sabe o que é verdade.”

Então, meu caro leitor, talvez o maior ato de amor seja encarar a realidade com compreensão e aceitação, tornando o coração cada vez mais leve.

Que possamos criar, dentro do nosso pequeno universo, o ambiente que gostaríamos de ver no mundo. E acreditar que, neste reino da dualidade, cada experiência — até mesmo as que partem o coração — pode nos conduzir à evolução.

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